segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Rio: Turismo e Curso de Interpretação na CAL

Havia ido no Rio no Congresso da UJS no ano de 2012, mas foi uma viagem rápida, fria, sem muitos atrativos. Dessa viagem me lembro de ter passado pelo Maracanã, andado no metrô, ido tomar vinho em Copacabana e um breve passeio (num dia frio e nublado) pela orla da mesma. Mas dessa vez foi diferente, fui em clima de entrega, conhecimento, ímpeto de mudar de ares - para aqueles ares. E foi um aprendizado maravilhoso. 




No Rio, os poucos dias que passei (do dia 03/02 ao 07/02) foram preponderantes para a minha avaliação daquilo que vivo na Grande Vitória e, futuramente, do que viverei no Rio de Janeiro. E isso me anima, empolga, seduz. Dificuldades por dificuldades, ah, prefiro as de lá do que as daqui. Vontade de lutar, eu tenho. Força, também.




O que mais me chocou foi a simpatia e simplicidade do povo carioca, que é totalmente o contrário da postura de vida das pessoas, em especial, da Grande Vitória, no Espírito Santo. Não tenho que fazer "a bonita" e ficar tentando, aqui, em vão, elogiar ou tentar amenizar o que vi, vivi, sofri, passei. Sou sincera, leal, fiel, pode ter certeza que estou certa em minhas conclusões e aonde me dói, ah, isso sim, só eu sei. Então vamos lá, sinceramente - e obviamente - aqui não é lugar para quem quer vencer. Para mim, as pessoas da GV são muito frias, fechadas, antipáticas, mesquinhas, sem educação, desrespeitosas, fúteis, desleais, falsas, intolerantes, grossas, exageradas, enfim, ainda poderia citar mais zilhões de defeitos daqui, mas não quero ser tão indelicada. Ah, o povo daqui também é indelicado e agressivo. Pronto. Minha conclusão depois de 5 anos morando aqui em Vila Velha é que, isso aqui não é terra para mim, para meus sonhos, minha família, minha vida, minha arte. Preciso, quero e vou me encontrar em um lugar que seja no mínimo - totalmente - ao contrário das características que vos disse acima. Eu necessito aquele calor carioca. Sim, me apaixonei. 




 Eu gosto do meu Espírito Santo, do interior sul, gosto do litoral sul, gosto do lugar que nasci (Cachoeiro de Itapemirim), sim, interior, roça, zona rural, seja lá qual for, sua grandeza é maior do que os moldes sujos da capital. O Espírito Santo é um estado pequeno pelas suas capacidades de ser somente pequeno. Não há vontade de crescer, ser, aparecer. E isso não me seduz. O que existe em mim grita alto: Liberdade, voz, verdade, luz, arte.




Me arrependi amargamente de ter mudado de Marataízes para Vila Velha. Lá pelo menos é um lugar com pessoas nobres, de valores e grande coração. Não me envergonho de dizer que não gosto daqui, que aqui não há oportunidade, honestidade, gentileza. Há exceções sim, claro, sempre há, pessoas de boa índole, bom coração, solidarias, leais. Mas o que me assusta é isso ser tão raro.




 No Rio, junto com meu marido Gabriel, desfrutei das maravilhas da cidade maravilhosa. Foi lindo estar lá. Cenários magníficos. Paixão. Participei do Curso de Interpretação para TV e Cinema com o ator Cécil Thiré, na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e foi uma experiência riquíssima, principalmente com aquela turma sensacional que também fez parte desse momento especial da minha vida. Muito feliz por tê-los conhecido. Todos.




Cécil, para mim, foi uma figura interessantíssima de se conhecer, pela sua experiência, carreira, seus papéis inesquecíveis, enfim, foi ótimo estar em sua presença. Emocionante à flor da pele. Lembro de como eu amava À Próxima Vítima. Obrigada, Cécil.





As pessoas do Rio são maravilhosas, solicitas, quentes, alegres, sexys, bonitas, inteligentes, amigáveis... Putz, o Rio é foda, o carioca é foda, a bossa nova é foda. Bem, só tenho que levantar as mãos pro céu e agradecer pela oportunidade de conhecê-lo melhor, e que brevemente, estarei desfrutando de suas belezas e oportunidades incisivamente. Até que enfim.












domingo, 10 de novembro de 2013

Exposição "Portinari na Coleção Castro Maya"

Nesse domingo, apesar de ter perdido o workshop com o pessoal da Cia Ventoforte, eu e Gabriel assistimos a exposição maravilhosa de Portinari no Palácio Anchieta, em Vitória-ES.

Foi lindo, encantador esse contato com a coleção de Castro Maya sobre o grande artista brasileiro. Além de informações e cartas interessantes, as pinturas e desenhos nos levou para dentro do mundo modernista de Portinari.

Portinari foi um grande artista plástico brasileiro, reconhecido no mundo inteiro, tendo suas obras colocadas a nível de obras como de Pablo Picasso, por exemplo.

A exposição vai do dia 18 de outubro a 15 de dezembro, no Palácio Anchieta, Vitória-ES. A entrada é gratuita. 



























domingo, 3 de novembro de 2013

Franz: companheiro de estudos

Além de ser um gato fofo e meigo, Franz mostra que também é culto e adora estudar, apoiando a mamãe do Artigo Científico. Obrigada, filhão!













terça-feira, 24 de setembro de 2013

Racismo: Adolescência - Parte III

Na verdade, ficou subentendido na última postagem Racismo: Adolescência - Parte II que o assunto sobre essa fase tinha acabado, terminei de um jeito bem "e agora vamos para outra fase", só que não. Ainda tem um monte de merda sobre a adolescência negra - que ocorreu comigo - que eu gostaria de citar.


Com meu diagnóstico de borderline fica muito mais fácil compreender meu desespero com a rejeição do meu colega, que eu era afim, Eduardo e meus problemas, em contrapartida, com o time de handebol da escola que frequentava. Sim, agora posso falar, isso arruinou minha vida. E sim, tenho arrependimento de tudo o que aconteceu, pois foi culpa minha (grande parte da bosta fui eu quem cagou). E foi nessa fase da adolescência que eu descobri o que é sofrer. Sofri demais, e não digo externamente, foi internamente mesmo, na profundeza da ferida, é lá que doeu, é de lá que vem - ainda - a dor. Mas culpo as pessoas também, essa fase da vida já é tão complicada, podiam ter me polpado de tanta porrada, mas ninguém estava preparado, ninguém - nem eu - sabia o que era. Jeito mais agressivo, sei...


Minha adolescência foi muito boa, mas um tratamento adequado me faria aproveitá-la muito mais. Nunca me enxerguei, me gostei, me senti, sempre me achei inferior em demasia - era de fato - toda a vivência observada de cima demonstra isso. Eu era inferior ao grupo em que na época pertencia. Tinha meus valores, que serviam para entreter e divertir. Na verdade, me sentia uma espécie de bobo-da-corte, ou algo assim. Eu era a garota da palhaçada, da graça, do riso, da gargalhada engraçada, sem direito a sentimentos, até porque ninguém corresponderia (e ninguém correspondeu). Vivi com essa máscara do "humor" por muito tempo, hoje em dia nem sei mais aonde ela está, deve ter ficado para trás, numa dessas mudanças da vida.


Foi aí que resolvi colocar cabelão, malhar, e me "amar". Os dois primeiros, feitos com esmero, mas o amor próprio até hoje não veio. Minha insegurança de virar uma "Tia Anastácia", ou qualquer negra que só serve, serve, serve, e é só esse seu papel, sem sentimentos, ou aquela mesma garota que ninguém queria dançar nas festinhas americanas, enfim, minha insegurança é porque estou mais perto dessa realidade do que imaginava, sempre estive. Minha insegurança é um medo verdadeiro, forte e vivo, que ronda minha vida esperando me colocar "no meu lugar".


Minha solidão é causada por milhares de motivos óbvios e coesos. Quando criança, me isolava porque não me via na TV, nas propagandas, na escola particular que estudava, então, me isolava porque no meu mundo eu era quem eu quisesse. Mas quando você vai crescendo, ainda na adolescência, as pessoas vão tendo o poder de destruir seu mundo, e nem isso que era tão particular à você sobrevive a fúria do ser humano irracional. Ser adulto então, é uma merda. Seu mundo é podado, e foi lá que deixei meus sonhos, por isso tenho dificuldade em achá-los, às vezes.


A adolescência é uma fase complexa e para mim foi ainda pior, pois é a fase que a borderline começa com suas crises mais intensas, desenvolvendo o transtorno, então a confusão de personalidade que tenho chegou a níveis extremos e eu sem ter a quem pedir ajudar. Meu socorro ninguém nunca ouviu. Não vai ser hoje que vão escutar.



O ser humano é feito pra viver em sociedade, eu não. Então a morte seria, a primeira, segunda e terceira vista, a resposta mais coesa para minhas perguntas na infância, na adolescência (principalmente) e hoje, na vida adulta. Se eu pudesse voltar atrás, teria roubado o 38 do meu pai (policial) e me matado, porque sinceramente, não tem caminho, não tem escolha, não tem futuro.

Ps.: Desculpem o baixo-astral no final do post, mas a vida é assim, uma grande bosta.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Racismo: Adolescência - Parte II

A maior dificuldade dessa fase é a aceitação. E se aceitar num contexto de preconceito e violência é algo muito penoso, pois a aceitação não é só de nós mesmos, é inclusive do meio social em que estamos inseridos, e nesse meio social, o tipo físico do negro não é bem visto, não é considerado belo, não é exaltado, o que encheu de conflitos na minha mente conflitante de adolescente. Se aceitar enquanto o mundo inteiro tenta te provar o quanto você é inaceitável, errado, contrário, é mais que penoso, é praticamente impossível.

Por experiência digo que o mais doloroso é ver aquele preconceito de pessoas que estão do nosso lado ou - pelo menos - que acham estar. Amigos, familiares, conhecidos ofendem muito mais que estranhos que não convivem conosco. E muitas vezes esses seres tão próximos acabam por ser os grandes vilões, por reforçar preconceitos e, querendo ou não, acabam por menosprezar, ignorar e humilhar a raça alheia, com o discurso "é só uma piada", eles estão presentes e saem da boca de quem menos esperávamos, ou pelo menos, de quem menos deveríamos esperar. E na adolescência isso é mais constante, e o fato de querer ser aceito acaba por fazer você encarar como "piada" tudo aquilo que não é e não tem a menor graça.

Passei muita raiva, e sempre fui extremamente explosiva, apesar de já não ser como antigamente. Sempre verbalizei e deixei bem claro quando não gostava de algo, pela minha grandiosa sensibilidade, nunca consegui esconder muita coisa das pessoas. Odiei ter que ouvi muita coisa que ouvi, então sempre respondia. Sempre me defendi. Eu tinha vizinhos, conhecidos que pegavam no meu pé, e devido ao transtorno que possuo as pessoas sempre procuravam me provocar, então sempre me mantinha hostil, sempre na retaguarda, pronta para dar o bote, e nunca me arrependi disso. Esses vestígios perduram até os dias de hoje.

Adolescentes negras sofrem. Com o cabelo então, nem se fala. É um suplício. E não é sem motivo, como muitos falam. Esse complexo com o cabelo é algo muito delicado e sério. Eu já deixei de sair e me divertir por causa disso, e várias outras garotas negras também. É um padrão fortemente imposto o cabelo "bom", e é fortemente cruel cobrar algo que a pessoa não tem, principalmente, julgar como a pessoa é, se ela é digna de estar nas festinhas ou não, só por causa de como o cabelo dela se apresenta. 

Quando saí do Guimarães Rosa, minha cabeça mudou, me afastei de muita gente. Estudei em outras escolas, conheci gente legal, fiquei com caras legais, outros nem tanto. Mudei de cidade, morei em Marataízes, e aos 18 anos conheci Gabriel, com quem estou até hoje. E aí, já é outra fase. 

Eu e Gabriel, em Marataízes-ES

Dinda te ensina a montar uma deliciosa torta salgada

 Olá, blog! Dia 1º foi aniversário do meu marido Gabriel (Parabéns, amor!). Ele pediu uma torta salgada, Dinda fez e ficou maravilhosa. Foi ...