segunda-feira, 7 de abril de 2014

O cabelo alisado (um problema de desconstrução sócio-racial-cultural)


Venho até aqui falar de algo que me incomoda profundamente: Negros julgando e criminalizando negros que alisam o cabelo. Obviamente a conscientização da valorização de nós mesmos e nossas culturas é muitíssimo necessário para mudarmos nossa condição, mas desmerecer quem tem cabelos lisos ou alisados, não ajuda em nada.

Será possível que ninguém entende a dificuldade para se desconstruir toda essa cultura imposta, no meu caso, 15 anos de práticas assim, e que hoje, confesso sinceramente, me sinto bem assim, por mim, pq não ouço ngm enquanto aquilo que me faz feliz, completa, mas sinto uma criminalização como se quem alisasse o cabelo fosse menos negro, bonito, alienado (essa questão dá pano pra manga, discutirei mais sobre em posts futuros) etc.


Vcs, nem ngm, irão entender minha dificuldade, meus problemas, sofrimentos internos, meus transtornos e minha individualidade. Entendam: Cabelo crespo, cacheado, ondulado, verde, rosa, azul, branco, enfim, qulaquer um tem sua beleza, mas me sinto ofendida, diminuída por ser uma negra de cabelo alisado, e eu ainda não quero mudar isso - disse AINDA.


Quando criança, as meninas brancas gostavam de ficar pegando no meu cabelo e rindo, nunca me senti confortável com isso. Tinha vergonha. Bairro classista, classe média cheio de brancos racista e opressores. E agora eu ser condenada por isso. Sim, ser negra é ser condenada, culpada, apedrejada por todos, uma esquizofrenia sem fim, um retardamento sem fim, uma ignorância sem fim.



Ah, vou contra - um pouco - ao politicamente correto agora e apoio crianças negras que revidam, pq guardar para si teria me feito muito pior. Bati, xinguei, gritei, exigi, cobrei. E isso para mim nunca vai mudar. Luta eterna. E bateu de frente comigo é só tiro, porrada e bomba. Nunca levei nem levarei desafora pra casa. Isso fortalece os racistas e não estou aí pra fortalecer ninguém que não seja EU mesma, meus ideias, sonhos e convicções.

 

Cada um com seu tempo, então respeitemos todos por favor. Já não basta o racismo da raça dominante e ignorante inocentemente e arrogantemente superior (branca), não preciso de "irmãos" meus me julgando. Amo meu cabelo como está, não tenho problemas, vou amá-lo quando estiver ao natural também e vou amar mais ainda quando negros e negras respeitarem o limite, os problemas, as condições, o sofrimento, a identidade e a vida dos outros. 


Cada um com suas verdades, e suas escolhas. NÃO SOU MENOS NEGRA POR TER CABELO ALISADO. Um dia, quem sabe, assumirei meu black power muito feliz, mas isso no MEU TEMPO!!!

terça-feira, 18 de março de 2014

Crítica: Django Unchained


Odiei o filme. O pior do Tarantino até hoje. “Bastardos Inglórios” foi ótimo, então pensei que “Django Unchained” seguisse a mesma premissa (pelo fator holocausto), mas não foi. Ele se perdeu.

São 2 horas e 45 minutos de filme, desnecessárias, apenas para contar a história do salvamento da mulher do Django, Broomhilda. E foi entediante de se ver. A história rasa demais, com a escravidão como pano de fundo para a "comédia" que não foi das melhores do diretor. E olha que Tarantino é bom nisso. Um dos melhores diretores de cinema, com uma visão ímpar da violência, vida, relações etc. Dessa vez ele foi muitíssimo infeliz (e lamento por isso, porque esperei muito por este filme, e esperei que fosse ótimo também, igual aos seus outros filmes, em especial, por ser tratar de holocausto, “Bastardos Inglórios”, como já havia mencionado acima).


Filmes sobre negros com white mansplaining é algo que já conheço - vide “Amistad”, “Histórias Cruzadas”, entre vários milhares de outros - e detesto. É algo que me incomoda por não se dar voz aos negros. É como servisse de babá às pessoas brancas, conduzindo-as pela trama, mas também serve de conforto para as suas culpas (escravidão, racismo, discriminação, preconceito, marginalização etc), que são muitas. Assim os brancos podem ver o filme na perspectiva de um outro branco que ali, na tela, o representa. 


Os negros escravizados do faroeste tarantinesco são tão embasbacados que dá vontade de entrar na tela e colocá-los no tronco, espancando-os até a morte. Mas, por que? Porque simplesmente eles são, escritos e descritos, como burros, ignorantes, retardados, sem noção, acomodados, sem voz, sem vontade, sem cérebro. É horrível e demonstra ignorância pensá-los dessa maneira. 


Sendo uma mulher negra digo, sinceramente, que o filme foi de mal gosto. Basta estudarmos para sabermos o quanto os negros lutaram contra a escravidão - aqui no Brasil, no Caribe ou lá nos EUA, whatever - para termos uma noção de que aquelas caras (de paisagem, confusas, esperando uma boa alma branca salvadora) que faziam de nada corresponde com a realidade vivida pelos meus antepassados.

Entretanto, o filme possui boa fotografia e figurino, trilha sonora competente e as atuações de Leonardo Di Caprio, Samuel L. Jackson e Christoph Waltz, especialmente desse último, são maravilhosas e bem expressivas, marcantes, fortes, vivaz. Já Jamie Foxx está inexpressivo e abaixo da média, se comparado ao resto do elenco principal. Não gosto do trabalho de atuação dele, para mim é superficial, frívolo.

A história, o enredo, fraquíssimos. Realmente parece que faltou corte no filme. Muito longo para nada. Poderia ter dito uma história mais enxuta, e não tão ampla. Ficou excessivamente desgastante, até mesmo para uma obra de Tarantino (coisa que para mim é anormal, adoro ele).  


Para mim, ou qualquer pessoa negra com um pouco de consciência e noção de tempo, espaço, situação, consegue entender o que o diretor Spike Lee quis dizer em sua crítica ao filme, abordando que a temática de faroeste nada tem haver com o holocausto sofrido pelos negros. Ele também comentou que não viria o filme. Bem, ele fez certo, o filme para os negros que buscam algo (seja vingança igual em "Bastardos", ou força, ou redenção, ou orgulho, ou whatever...) só encontra piadas sem graça, insultos (normais para a época do filme) e quase 3 horas de "o que estou fazendo aqui?". Porque sim, é complexo imaginar que, mesmo com muito estudo, algum branco sinta, entenda ou veja a nossa dor. A dos judeus é mais fácil, porque judeus são brancos. Mas negros são um outro povo. Ainda estamos distantes (economicamente, socialmente, ideologicamente, e por aí vai).

No próprio filme, Django parece meio lesado em "somente" procurar a amada, como se fossem viver felizes para sempre, mas peraí, eles são negros, no sul dos EUA, em plena escravidão, então, felicidade é que eles não irão encontrar tão cedo, tão fácil. O final do filme me remeteu aos negros em relação às favelas, pois ele fica livre, salva a mulher, mas e agora?! Vão pra onde, com que dinheiro, fazer o que? Fiquei com essa sensação de abandono, que fez parte da história. Aliás, Django não se importa com os outros, que na verdade, todos sabemos, é ele mesmo - o sofrimento de um negro remete ao sofrimento de todos, enquanto se têm negros escravizados, significa que nossa liberdade não foi realmente alcançada. Somos todos escravos. 


Senti vergonha vendo o filme, não de ser negra, não desse passado imposto e sofrido, não pela visão errada que os brancos sempre tiveram e reproduziram de nós, não, nunca. Mas pelo Tarantino. Foi uma grande bola fora.


Obrigada, "12 anos de escravidão". É isso aí!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Não estou aqui

Não estou no ES;
Não estou no Brasil;
Tampouco estou em qualquer continente;
Ou quem sabe em um vulcão com lavas incandescentes.

Não estou na América;
Não estou na Terra;
Não estou respirando;
Não estou na minha casa, na minha rua, no meu lugar.

Não estou aqui;
Não estou ali;
Não estou lá;
Não estou em nenhum lugar.

Não estou viva;
Não estou morta;
Não estou feliz;
Não estou triste.

Não estou me importando;
Não estou nem aí;
Não estou aonde quer que seja...
Somente aonde minha cabeça possa querer estar, ou não.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Vídeo: As Paixões de Nelson Rodrigues

A fim de mostrar um pouco do meu trabalho, decidi postar o vídeo realizado pelo curso de Artes Cênicas na aula de Teledramaturgia do professor Roberto Burura em novembro de 2012 na Universidade Vila Velha - UVV. A proposta também foi de homenagear Nelson Rodrigues, no aniversário de seu centenário. 

Alunos participantes na Cena 1: Tadeu Schneider e Inácia Freitas 
Alunos participantes na Cena 2: Gleidson Rangel e Rafaela Brites 
Alunos participantes na Cena 3: Rafaella Vagmaker e Raquel Camata 
Alunos participantes na Cena 4: Lú Alves e Raíssa Reis 
Alunos participantes na Cena 5: Isadora Rocha e Wallace Breciane
Direção coletiva da turma de Artes Cênicas UVV 2011/2013.


"As Paixões de Nelson"

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Formatura Artes Cênicas UVV 2011/2013

Ainda emocionada digo: A formatura foi maravilhosa. 

Ter passado esses 3 anos na UVV, fazendo parte da 1ª turma de Artes Cênicas do estado do Espírito Santo foi muito engrandecedor. As dificuldades que tivemos no curso e as dificuldades da vida profissional dos que atuam na área artística, em especial, no nosso estado, onde o artista é tão pouco valorizado e o mercado tão escasso de oportunidades, nos fizeram crescer, ter uma análise crítica mais apurada, mais discernimento acerca do universo artístico, conhecimentos gerais da área de artes cênicas etc. Aprendizado de vivência, prática e teoria, aprendizado, aprendizado. 

Tadeu, Racine, Rafa Vagmaker, Léia, Mauro, Gleidson, Isadora, Gabi, Naná, Adalgisa, Maurício, Lú, e os que nos deixaram para seguir outros caminhos: Anderson, Raquel, Raíssa, Renan, Patrícia, Fernandha, entre outros vários que fizeram parte do trajeto dessa jornada conosco. Foi muito bom ter conhecido vocês. Logicamente, uns mais do que os outros. Mas conhecer a todos com seus jeitos, manias, defeitos e qualidades, me fez uma pessoa mais analítica, mais tolerante, mais humana. 

Não foi fácil, creio que para ninguém. Foram muitas emoções, bixo. Mas, no final tudo deu certo, e nós estamos aqui, com o diploma na mão seguindo cada um o caminho que traçou. 

#merda #ArtesCênicas #UVV #Formandos #Arte #Teatro #Licenciatura #Paixão 



Obs.: As fotos lindas vem depois.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Rio: Turismo e Curso de Interpretação na CAL

Havia ido no Rio no Congresso da UJS no ano de 2012, mas foi uma viagem rápida, fria, sem muitos atrativos. Dessa viagem me lembro de ter passado pelo Maracanã, andado no metrô, ido tomar vinho em Copacabana e um breve passeio (num dia frio e nublado) pela orla da mesma. Mas dessa vez foi diferente, fui em clima de entrega, conhecimento, ímpeto de mudar de ares - para aqueles ares. E foi um aprendizado maravilhoso. 




No Rio, os poucos dias que passei (do dia 03/02 ao 07/02) foram preponderantes para a minha avaliação daquilo que vivo na Grande Vitória e, futuramente, do que viverei no Rio de Janeiro. E isso me anima, empolga, seduz. Dificuldades por dificuldades, ah, prefiro as de lá do que as daqui. Vontade de lutar, eu tenho. Força, também.




O que mais me chocou foi a simpatia e simplicidade do povo carioca, que é totalmente o contrário da postura de vida das pessoas, em especial, da Grande Vitória, no Espírito Santo. Não tenho que fazer "a bonita" e ficar tentando, aqui, em vão, elogiar ou tentar amenizar o que vi, vivi, sofri, passei. Sou sincera, leal, fiel, pode ter certeza que estou certa em minhas conclusões e aonde me dói, ah, isso sim, só eu sei. Então vamos lá, sinceramente - e obviamente - aqui não é lugar para quem quer vencer. Para mim, as pessoas da GV são muito frias, fechadas, antipáticas, mesquinhas, sem educação, desrespeitosas, fúteis, desleais, falsas, intolerantes, grossas, exageradas, enfim, ainda poderia citar mais zilhões de defeitos daqui, mas não quero ser tão indelicada. Ah, o povo daqui também é indelicado e agressivo. Pronto. Minha conclusão depois de 5 anos morando aqui em Vila Velha é que, isso aqui não é terra para mim, para meus sonhos, minha família, minha vida, minha arte. Preciso, quero e vou me encontrar em um lugar que seja no mínimo - totalmente - ao contrário das características que vos disse acima. Eu necessito aquele calor carioca. Sim, me apaixonei. 




 Eu gosto do meu Espírito Santo, do interior sul, gosto do litoral sul, gosto do lugar que nasci (Cachoeiro de Itapemirim), sim, interior, roça, zona rural, seja lá qual for, sua grandeza é maior do que os moldes sujos da capital. O Espírito Santo é um estado pequeno pelas suas capacidades de ser somente pequeno. Não há vontade de crescer, ser, aparecer. E isso não me seduz. O que existe em mim grita alto: Liberdade, voz, verdade, luz, arte.




Me arrependi amargamente de ter mudado de Marataízes para Vila Velha. Lá pelo menos é um lugar com pessoas nobres, de valores e grande coração. Não me envergonho de dizer que não gosto daqui, que aqui não há oportunidade, honestidade, gentileza. Há exceções sim, claro, sempre há, pessoas de boa índole, bom coração, solidarias, leais. Mas o que me assusta é isso ser tão raro.




 No Rio, junto com meu marido Gabriel, desfrutei das maravilhas da cidade maravilhosa. Foi lindo estar lá. Cenários magníficos. Paixão. Participei do Curso de Interpretação para TV e Cinema com o ator Cécil Thiré, na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e foi uma experiência riquíssima, principalmente com aquela turma sensacional que também fez parte desse momento especial da minha vida. Muito feliz por tê-los conhecido. Todos.




Cécil, para mim, foi uma figura interessantíssima de se conhecer, pela sua experiência, carreira, seus papéis inesquecíveis, enfim, foi ótimo estar em sua presença. Emocionante à flor da pele. Lembro de como eu amava À Próxima Vítima. Obrigada, Cécil.





As pessoas do Rio são maravilhosas, solicitas, quentes, alegres, sexys, bonitas, inteligentes, amigáveis... Putz, o Rio é foda, o carioca é foda, a bossa nova é foda. Bem, só tenho que levantar as mãos pro céu e agradecer pela oportunidade de conhecê-lo melhor, e que brevemente, estarei desfrutando de suas belezas e oportunidades incisivamente. Até que enfim.












Dinda te ensina a montar uma deliciosa torta salgada

 Olá, blog! Dia 1º foi aniversário do meu marido Gabriel (Parabéns, amor!). Ele pediu uma torta salgada, Dinda fez e ficou maravilhosa. Foi ...