segunda-feira, 16 de junho de 2014
Titãs e seu Nheengatu
Um sopro de esperança para o morto/falido rock nacional, eis que Titãs ressurge com o CD 'Nheengatu', cheio de críticas sociais e culturais. É - realmente - um produto artístico muito crítico que fala de manifestações, pedofilia, racismo, machismo, polícia, religião, política, e além disso é um CD de rock, rock pesado de verdade, daquele que não vemos há muuuuuuuuuito tempo.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
A campanha #somostodosmacacos, o meu repúdio e o meu pensamento sobre a coisa toda
Esse começo de ano está bem complicado para quem é negro. Remoções em comunidades majoritariamente negras, assassinatos da comunidade negra em favelas, prisões de negros e mortes ao "confundi-los" com bandidos e traficantes, corpo de mulher negra arrastado por carro da PM... Enfim, estamos em abril e olha só quanta coisa a comunidade negra já passou somente nesse comecinho de 2014. É muito medo, tristeza e dor. A luta deve continuar. E sabemos que a violência e a hostilidade aos negros está cada vez pior devido a Copa do Mundo, que pretende "limpar" as cidades-sede para a elite branca e os turistas brancos - em sua maioria europeus - aproveitarem sua estada no Brasil.
Além de tudo isso que foi citado, o que me choca é o fato de muitas pessoas negras não entenderem que isso tudo se trata de racismo institucionalizado. E o que fazem para mudar a situação? Engolem uma banana, na frente dos racistas, e dizem que é assim que o assunto deve ser tratado porque, apesar da sagacidade que Daniel Alves pareceu ter, na minha opinião, desde o ocorrido com ele em campo, sua degustação da banana jogada por torcedor(es) racistas, me leva a crer numa possível armação para tudo o que veio a seguir. Acredito que ele comeu a banana propositalmente, dando o ponta pé inicial nessa campanha toda, encabeçada por Neymar, em prol da FIFA e do Brasil, como país-sede. Uma jogada que vai da intenção do governo em se falar que será a Copa contra o preconceito racial até a imagem de Neymar, como garoto-propaganda da campanha, alavancando sua pessoa como o grande trunfo brasileiro, o que me remete uma possível - como também acredito - vitória da seleção brasileira nessa Copa do Mundo, que está comprada para nós, sediadores.
Mas, como Daniel Alves saberia que uma banana seria jogada? Oras, ele está na Espanha. Isso acontece lá todo dia. O próprio jogador falou sobre o caso acontecer cotidianamente.
Enfim, pra mim usaram o sofrimento do negro, em especial, nós negros brasileiros, para fazer dinheiro, armar uma campanha hipócrita para a Copa do Mundo e, enquanto isso, negros e negras estão morrendo nas mãos da polícia, do Estado, da Copa do Mundo da FIFA. Enquanto isso, milhares de pessoas, brancos essencialmente, postam fotos comendo banana e dizendo #somostodosmacacos. Tudo isso somente pra inglês ver, e eles verão. Lamentavelmente!
A unica coisa que posso dizer para melhorar a situação: Negros, uni-vos!!!
Além de tudo isso que foi citado, o que me choca é o fato de muitas pessoas negras não entenderem que isso tudo se trata de racismo institucionalizado. E o que fazem para mudar a situação? Engolem uma banana, na frente dos racistas, e dizem que é assim que o assunto deve ser tratado porque, apesar da sagacidade que Daniel Alves pareceu ter, na minha opinião, desde o ocorrido com ele em campo, sua degustação da banana jogada por torcedor(es) racistas, me leva a crer numa possível armação para tudo o que veio a seguir. Acredito que ele comeu a banana propositalmente, dando o ponta pé inicial nessa campanha toda, encabeçada por Neymar, em prol da FIFA e do Brasil, como país-sede. Uma jogada que vai da intenção do governo em se falar que será a Copa contra o preconceito racial até a imagem de Neymar, como garoto-propaganda da campanha, alavancando sua pessoa como o grande trunfo brasileiro, o que me remete uma possível - como também acredito - vitória da seleção brasileira nessa Copa do Mundo, que está comprada para nós, sediadores.
Mas, como Daniel Alves saberia que uma banana seria jogada? Oras, ele está na Espanha. Isso acontece lá todo dia. O próprio jogador falou sobre o caso acontecer cotidianamente.
Enfim, pra mim usaram o sofrimento do negro, em especial, nós negros brasileiros, para fazer dinheiro, armar uma campanha hipócrita para a Copa do Mundo e, enquanto isso, negros e negras estão morrendo nas mãos da polícia, do Estado, da Copa do Mundo da FIFA. Enquanto isso, milhares de pessoas, brancos essencialmente, postam fotos comendo banana e dizendo #somostodosmacacos. Tudo isso somente pra inglês ver, e eles verão. Lamentavelmente!
A unica coisa que posso dizer para melhorar a situação: Negros, uni-vos!!!
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Crítica: Credores, do Boyásha Trupe
Dia 06/04 (domingo) tive o privilégio de rever a peça Credores, no espaço Casa Vermelha, na Cidade Alta em Vitória. Primeiramente gostaria de ressaltar a importância desses espaços artísticos na cidade de Vitória, ainda são poquíssimos, mas ao passar dos anos vem surgindo cada vez mais lugares e lugares para o artista capixaba explorar/trabalhar/apresentar sua arte, que ainda é - infelizmente - desvalorizada no nosso pequeno estado.
A Casa Vermelha, da simpaticíssima Edilamar, é um espaço que está surgindo aí, com mais possibilidades de trabalhos para admiradores e funcionários das artes. Só desejo sucesso. Espero que cresça, para termos mais um espaço de trabalho, estudo, ensaio... Enfim, parece que está havendo uma boa mobilização artística para que as coisas aconteçam de fato.
A Casa Vermelha, da simpaticíssima Edilamar, é um espaço que está surgindo aí, com mais possibilidades de trabalhos para admiradores e funcionários das artes. Só desejo sucesso. Espero que cresça, para termos mais um espaço de trabalho, estudo, ensaio... Enfim, parece que está havendo uma boa mobilização artística para que as coisas aconteçam de fato.
Bem, agora vamos ao espetáculo "Credores". Já havia assistido no Aldeia Sesc ano passado, e essa peça nunca saiu da minha cabeça devido a competência e proposta sólida do grupo, que está cada vez mais bem integrado, despojado, vivo, com uma relação forte e intensa com o público. Me surpreendi novamente, cada mudança nos remete a um novo estudo, possibilidades e descobertas, assistir uma peça mais de uma vez é também se descobrir e ir vê-lo longe de alguns pré-conceitos já criados com o que foi visto anteriormente. Pra que está ali, asssitindo, em especial pela segunda, terceira, quarta vez, o aprendizado e a mente trabalham de forma diferente, tirando o fato da já pré-disposição acomodada do "eu já vi, eu já sei". Aaaah... com peças de teatro a novidade é sempre enorme, pois tudo pode mudar, ou simplesmente algumas sutilezas, que mudam o meado da história.

A trilha, sem comentário, Murilo é demais, essa ligação dele com o público e o elenco, um "fio condutor", um poeta musical, dá um link perfeito com o espetáculo em si, e isso meche com nossa imaginação completamente. É excelente os sons e o clima que eles nos provocam. É excitante, tenso, forte, doloroso, é um jogo.
Do elenco, o que posso dizer, além da beleza e talento de todos? Bem, vamos começar: Lorena, linda, perfeita, sexy (sem ser vulgar rs), instigante, provocante, Teca que encanta, que apaixonada, e ela eleva a várias dimensões esse seu poder sobre todos (e todas). Trabalho competente, despojado, livre, uma entrega linda. Daniel, sempre maravilhoso, dá raiva e ódio, mas uma sensualidade total, naquele meio que paira entre o sexy, sensual, o tesão e a repulsa, o nojo, a prepotência. Demais, eu o amo e o odeio. E amor e ódio estão tão ligados. E João, que vi em "A Mais Forte", e agora me delicio com a evolução de seu trabalho, forte e competente, que está cada vez mais sólido e instigante. Só tenho que dar parabéns e desejar muita merda para essa trupe que vai longe.
E precisando de alguém, estamos aí!
Obrigada, Boyásha Trupe, por um espetáculo tão grandioso. Sucesso e merda sempre para - todos - nós. ;D
O cabelo alisado (um problema de desconstrução sócio-racial-cultural)
Venho até aqui falar de algo que me incomoda profundamente: Negros julgando e criminalizando negros que alisam o cabelo. Obviamente a conscientização da valorização de nós mesmos e nossas culturas é muitíssimo necessário para mudarmos nossa condição, mas desmerecer quem tem cabelos lisos ou alisados, não ajuda em nada. Será possível que ninguém entende a dificuldade para se desconstruir toda essa cultura imposta, no meu caso, 15 anos de práticas assim, e que hoje, confesso sinceramente, me sinto bem assim, por mim, pq não ouço ngm enquanto aquilo que me faz feliz, completa, mas sinto uma criminalização como se quem alisasse o cabelo fosse menos negro, bonito, alienado (essa questão dá pano pra manga, discutirei mais sobre em posts futuros) etc.
Quando criança, as meninas brancas gostavam de ficar pegando no meu cabelo e rindo, nunca me senti confortável com isso. Tinha vergonha. Bairro classista, classe média cheio de brancos racista e opressores. E agora eu ser condenada por isso. Sim, ser negra é ser condenada, culpada, apedrejada por todos, uma esquizofrenia sem fim, um retardamento sem fim, uma ignorância sem fim.
Ah, vou contra - um pouco - ao politicamente correto agora e apoio crianças negras que revidam, pq guardar para si teria me feito muito pior. Bati, xinguei, gritei, exigi, cobrei. E isso para mim nunca vai mudar. Luta eterna. E bateu de frente comigo é só tiro, porrada e bomba. Nunca levei nem levarei desafora pra casa. Isso fortalece os racistas e não estou aí pra fortalecer ninguém que não seja EU mesma, meus ideias, sonhos e convicções.
Cada um com seu tempo, então respeitemos todos por favor. Já não basta o racismo da raça dominante e ignorante inocentemente e arrogantemente superior (branca), não preciso de "irmãos" meus me julgando. Amo meu cabelo como está, não tenho problemas, vou amá-lo quando estiver ao natural também e vou amar mais ainda quando negros e negras respeitarem o limite, os problemas, as condições, o sofrimento, a identidade e a vida dos outros.
terça-feira, 18 de março de 2014
Crítica: Django Unchained
Odiei o filme. O pior do Tarantino até hoje. “Bastardos Inglórios” foi ótimo, então pensei que “Django Unchained”
seguisse a mesma premissa (pelo fator holocausto), mas não foi. Ele se
perdeu.
São 2 horas e 45 minutos de filme, desnecessárias, apenas para contar a história do salvamento da mulher do Django, Broomhilda. E foi entediante de se ver. A história rasa demais, com a escravidão como pano de fundo para a "comédia" que não foi das melhores do diretor. E olha que Tarantino é bom nisso. Um dos melhores diretores de cinema, com uma visão ímpar da violência, vida, relações etc. Dessa vez ele foi muitíssimo infeliz (e lamento por isso, porque esperei muito por este filme, e esperei que fosse ótimo também, igual aos seus outros filmes, em especial, por ser tratar de holocausto, “Bastardos Inglórios”, como já havia mencionado acima).
Filmes sobre negros com white mansplaining é algo que já
conheço - vide “Amistad”,
“Histórias Cruzadas”, entre vários milhares de outros - e detesto. É
algo que me incomoda por não se dar voz aos negros. É como servisse de babá às
pessoas brancas, conduzindo-as pela trama, mas também serve de conforto para as
suas culpas (escravidão, racismo, discriminação, preconceito, marginalização
etc), que são muitas. Assim os brancos podem ver o filme na perspectiva de um
outro branco que ali, na tela, o representa.
Os negros escravizados do faroeste tarantinesco são tão
embasbacados que dá vontade de entrar na tela e colocá-los no tronco,
espancando-os até a morte. Mas, por que? Porque simplesmente eles são, escritos
e descritos, como burros, ignorantes, retardados, sem noção, acomodados, sem
voz, sem vontade, sem cérebro. É horrível e demonstra ignorância pensá-los
dessa maneira.
Sendo uma mulher negra digo, sinceramente, que o filme foi de mal gosto. Basta estudarmos para sabermos o quanto os negros lutaram contra a escravidão - aqui no Brasil, no Caribe ou lá nos EUA, whatever - para termos uma noção de que aquelas caras (de paisagem, confusas, esperando uma boa alma branca salvadora) que faziam de nada corresponde com a realidade vivida pelos meus antepassados.
Entretanto, o filme possui boa fotografia e figurino, trilha
sonora competente e as atuações de Leonardo Di Caprio, Samuel L. Jackson e
Christoph Waltz, especialmente desse último, são maravilhosas e bem
expressivas, marcantes, fortes, vivaz. Já Jamie Foxx está inexpressivo e abaixo
da média, se comparado ao resto do elenco principal. Não gosto do trabalho de
atuação dele, para mim é superficial, frívolo.
A história, o enredo, fraquíssimos. Realmente parece que faltou corte no filme. Muito longo para nada. Poderia ter dito uma história mais enxuta, e não tão ampla. Ficou excessivamente desgastante, até mesmo para uma obra de Tarantino (coisa que para mim é anormal, adoro ele).
A história, o enredo, fraquíssimos. Realmente parece que faltou corte no filme. Muito longo para nada. Poderia ter dito uma história mais enxuta, e não tão ampla. Ficou excessivamente desgastante, até mesmo para uma obra de Tarantino (coisa que para mim é anormal, adoro ele).
Para mim, ou qualquer pessoa negra com um pouco de consciência e
noção de tempo, espaço, situação, consegue entender o que o diretor Spike Lee
quis dizer em sua crítica ao filme, abordando que a temática de faroeste nada
tem haver com o holocausto sofrido pelos negros. Ele também comentou que não
viria o filme. Bem, ele fez certo, o filme para os negros que buscam algo (seja
vingança igual em "Bastardos", ou força, ou redenção, ou
orgulho, ou whatever...) só encontra piadas sem graça, insultos (normais para a
época do filme) e quase 3 horas de "o que estou fazendo aqui?".
Porque sim, é complexo imaginar que, mesmo com muito estudo, algum branco
sinta, entenda ou veja a nossa dor. A dos judeus é mais fácil, porque judeus
são brancos. Mas negros são um outro povo. Ainda estamos distantes
(economicamente, socialmente, ideologicamente, e por aí vai).
No próprio filme, Django parece meio lesado em "somente" procurar a amada, como se fossem viver felizes para sempre, mas peraí, eles são negros, no sul dos EUA, em plena escravidão, então, felicidade é que eles não irão encontrar tão cedo, tão fácil. O final do filme me remeteu aos negros em relação às favelas, pois ele fica livre, salva a mulher, mas e agora?! Vão pra onde, com que dinheiro, fazer o que? Fiquei com essa sensação de abandono, que fez parte da história. Aliás, Django não se importa com os outros, que na verdade, todos sabemos, é ele mesmo - o sofrimento de um negro remete ao sofrimento de todos, enquanto se têm negros escravizados, significa que nossa liberdade não foi realmente alcançada. Somos todos escravos.
No próprio filme, Django parece meio lesado em "somente" procurar a amada, como se fossem viver felizes para sempre, mas peraí, eles são negros, no sul dos EUA, em plena escravidão, então, felicidade é que eles não irão encontrar tão cedo, tão fácil. O final do filme me remeteu aos negros em relação às favelas, pois ele fica livre, salva a mulher, mas e agora?! Vão pra onde, com que dinheiro, fazer o que? Fiquei com essa sensação de abandono, que fez parte da história. Aliás, Django não se importa com os outros, que na verdade, todos sabemos, é ele mesmo - o sofrimento de um negro remete ao sofrimento de todos, enquanto se têm negros escravizados, significa que nossa liberdade não foi realmente alcançada. Somos todos escravos.
Senti vergonha vendo o filme, não de ser negra, não desse passado
imposto e sofrido, não pela visão errada que os brancos sempre tiveram e
reproduziram de nós, não, nunca. Mas pelo Tarantino. Foi uma grande bola fora.
Obrigada, "12 anos de
escravidão". É isso aí!
sexta-feira, 7 de março de 2014
Não estou aqui
Não estou no ES;
Não estou no Brasil;
Tampouco estou em qualquer continente;
Ou quem sabe em um vulcão com lavas incandescentes.
Não estou na América;
Não estou na Terra;
Não estou respirando;
Não estou na minha casa, na minha rua, no meu lugar.
Não estou aqui;
Não estou ali;
Não estou lá;
Não estou em nenhum lugar.
Não estou viva;
Não estou morta;
Não estou feliz;
Não estou triste.
Não estou me importando;
Não estou nem aí;
Não estou aonde quer que seja...
Somente aonde minha cabeça possa querer estar, ou não.
Não estou no Brasil;
Tampouco estou em qualquer continente;
Ou quem sabe em um vulcão com lavas incandescentes.
Não estou na América;
Não estou na Terra;
Não estou respirando;
Não estou na minha casa, na minha rua, no meu lugar.
Não estou aqui;
Não estou ali;
Não estou lá;
Não estou em nenhum lugar.
Não estou viva;
Não estou morta;
Não estou feliz;
Não estou triste.
Não estou me importando;
Não estou nem aí;
Não estou aonde quer que seja...
Somente aonde minha cabeça possa querer estar, ou não.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Vídeo: As Paixões de Nelson Rodrigues
A fim de mostrar um pouco do meu trabalho, decidi postar o vídeo realizado pelo curso de Artes Cênicas na aula de Teledramaturgia do professor Roberto Burura em novembro de 2012 na Universidade Vila Velha - UVV. A proposta também foi de homenagear Nelson Rodrigues, no aniversário de seu centenário.
Alunos participantes na Cena 1: Tadeu Schneider e Inácia Freitas
Alunos participantes na Cena 2: Gleidson Rangel e Rafaela Brites
Alunos participantes na Cena 3: Rafaella Vagmaker e Raquel Camata
Alunos participantes na Cena 4: Lú Alves e Raíssa Reis
Alunos participantes na Cena 5: Isadora Rocha e Wallace Breciane
Direção coletiva da turma de Artes Cênicas UVV 2011/2013.
"As Paixões de Nelson"
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