Hoje assisti pela primeira vez, um capítulo do tal "Sexo e as Negas" e notei muito clichê, bem padrão Globo em tratar a realidade do negro brasileiro, tal qual a representatividade de tal etnia e raça na emissora, sempre um nível abaixo, com animalização e o estilo 'deixa a vida me levar...' que não condiz com a vida de muitos negros, que trabalham, estudam e tem ambições, e não só sexo e festa na cabeça.

A visão do negro ali, bem distorcida em retratar a mulher com poucas expectativas, e que só sabem falar de sexo, tal qual o título já diz. É só sexo e as negas. Só. O termo que remete ao "nãos sou tuas negas" usado pelas sinhás ao se referirem as mulheres negras assediadas e estupradas pelos senhores brancos, elas diziam como sinal de... sou branca, me respeita, não sou tua escrava sexual, que você abusa, ou algo do gênero. É nojento. E pior que isso, só o jeito com que Miguel Falabella - o idealizador da parada toda, loiro e olho azul, que falava que negro fedia em "Sai de Baixo" - diz o nome da série na abertura. Muito nojento.

Sei que há a proposta de negros na trama principal, protagonistas etc, mas podemos ver em Windeck (novela angolana que passa na TV Brasil, e também tem página no youtube com os capítulos), negros exercendo a representatividade, onde é mostrado que negros podem ser cozinheiros, modelos, donos de revista, empresários, líderes, e não somente papeis e profissões de nível mais baixo, ou de segunda categoria, que não necessita muito estudo, muita capacidade intelectual. E isso faz perpetuar o preconceito e a ideia da inferioridade do negro perante a sociedade branca.
Negros têm ambições diferentes, não somos todos iguais, nem todo homem negro tem o pênis enorme e nem toda mulher negra é fogosa ou maravilhosamente quente na cama. Os clichês que reforçam esses esteriótipos são péssimos para a sociedade, péssimos para a mulher negra.
Senti uma diferença brutal quando assisti e pude comparar os dois. Não me sinto incomodada quando assisto "Windeck" - tirando por algumas cenas e atuações mais fracas, tal qual o roteiro - mas quando vejo "Sexo e as Negas" vejo objetificação, coisificação, animalização, pois não nos trata com dignidade. Exageram nas roupas, na sexualidade, nas falas, e isso não representa em si a mulher negra. Não somos todas assim. Não somos tuas negas.
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